Pular para o conteúdo principal

infandb.com.br

Sítio do Pica-Pau Amarelo

L
Classificação
Etária
7,6
Avaliação
do Usuário
9,9
Avaliação
InfanDB

Sítio do Pica-Pau Amarelo

Dados de Exibição

de 03/06/1952 a 06/03/1963

terça-feira e quarta-feira - 19h30

DIREÇÃO

ROTEIRO

PRODUÇÃO

Onde o livro se abre e a magia do Sítio ganha vida ao vivo

Sinopse

Nascida do sucesso de um especial em janeiro de 1952, a primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo estreou em junho do mesmo ano na TV Tupi. Comandada por Júlio Gouveia e Tatiana Belinky, a produção ao vivo transformou a obra de Monteiro Lobato em um marco absoluto da nossa televisão. As aventuras de Emília, Pedrinho, Narizinho e o Visconde iam ao ar semanalmente, direto de um cenário fixo que simulava a varanda do casarão. Sem comerciais tradicionais, o show inovava ao integrar patrocinadores como Duchen e Biotônico Fontoura na lúdica "Hora da Merenda". A atração fez tanta história que ganhou uma versão carioca em 1957 e enfrentou dezenas de trocas de elenco ao longo de sua extensa trajetória. Com 360 episódios que desafiaram a falta de efeitos especiais da época, o clássico infantil encerrou suas transmissões originais no ano de 1963.

Elenco principal

Onde o livro se abre e a magia do Sítio ganha vida ao vivo

O sucesso do Fábulas Animadas rendeu ao casal Júlio Gouveia e Tatiana Belinky uma proposta irrecusável da direção da TV Tupi: criar um episódio com uma temática genuinamente brasileira. Sem hesitar, Júlio buscou inspiração direta na obra de Monteiro Lobato para iniciar essa jornada. O resultado foi a encenação de “A Pílula Falante” — clássico capítulo do livro Reinações de Narizinho —, levada ao ar no dia 10 de janeiro de 1952. A repercussão mística e imediata do público mirim foi o estopim para que a emissora encomendasse a primeira série de televisão do Sítio do Picapau Amarelo.

A grande estreia oficial aconteceu no dia 3 de junho de 1952, abrindo as transmissões justamente com a reprise (reencenação) de “A Pílula Falante”. A estrutura do programa mantinha o charme lúdico herdado do teleteatro anterior: Júlio Gouveia surgia na tela abrindo um livro para introduzir e contar a história do dia; em seguida, o elenco encenava a trama e, ao final de aproximadamente 30 minutos, o diretor retornava para fechar o mesmo livro e se despedir dos telespectadores.

Semana após semana, as crianças da época acompanhavam as aventuras de um elenco inesquecível: a tagarela e inteligente boneca Emília (Lúcia Lambertini), o sábio Visconde de Sabugosa (Rúbens Molino) — o boneco que ganhou genialidade após ficar esquecido em uma biblioteca —, a terna Dona Benta (Sydnéia Rossi), os primos Pedrinho (Sérgio Rosemberg) e Narizinho (Lidia Rosemberg), os quitutes inigualáveis de Tia Nastácia (Benedita Rodrigues) e o curioso Jabuti falante. Como as exibições eram ao vivo e não contavam com intervalos comerciais, o programa usava o próprio enredo para faturar com os novos patrocinadores através da “Hora da Merenda”. No meio da história, Dona Benta chamava as crianças de casa para experimentar os bolinhos de Tia Nastácia, que eram saboreados em cena junto a produtos como a bebida maltada Completo Puritas, os biscoitos Duchen ou o Biotônico Fontoura.

Ao longo dos anos, o repertório transitou por clássicos literários e ricas crônicas históricas sobre a formação de São Paulo e do Brasil. Entre os episódios encenados estavam “O Casamento de Emília”, “O Gato Félix”, “O Pó de Pirlimpimpim”, “O Marquês de Rabicó”, além de tramas históricas e geográficas como “Caramuru”, “João Ramalho”, “A Mudança Para Piratininga”, “O 13 de Maio”, “Os Rios de São Paulo” e “O Governador das Esmeraldas”.

A relevância da série fez com que, no dia 9 de setembro de 1957, estreasse uma versão local para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com direção de Maurício Sherman e produção de Lúcia Lambertini, que também viveu a Emília na versão carioca. Em São Paulo, a longevidade do programa exigiu diversas substituições no elenco ao longo do tempo. Quando Lúcia Lambertini engravidou em 1959, a icônica boneca passou para as mãos de Dulce Margarida. A personagem Narizinho ganhou a interpretação de Edi Cerri; o Visconde foi vivido por Luciano Maurício e Hernê Lebon; Pedrinho passou por Julinho Simões e David José; Tia Nastácia foi assumida por Zeni Pereira; e Dona Benta, a recordista em substituições, foi defendida sucessivamente por Wanda A. Hammel, Suzy Arruda e Leonor Pacheco. No Rio, nomes de peso como Leny Vieira, André José Adler, Iná Malaguti, Elísio de Albuquerque e até Daniel Filho (como Dr. Caramujo) integraram a corte do Sítio.

Técnicas e recursos da época impunham severas limitações. A produção dependia essencialmente de um único cenário fixo — a varanda do sítio —, onde se passava a maior parte das cenas, enquanto os cenários internos eram improvisados na hora. Sem o auxílio de efeitos especiais, toda a magia descrita nos livros de Lobato precisava ser criativamente adaptada no braço pelos realizadores. O Sítio do Picapau Amarelo encerrou sua pioneira trajetória em 1963, alcançando a impressionante marca de 360 episódios, coincidindo com o afastamento de Júlio Gouveia da televisão. Curiosamente, as “reprises” que ocorreram no ano de seu encerramento não eram fitas gravadas, mas sim reencenações completas e ao vivo feitas pelo elenco, trazendo pequenas variações nos textos e diálogos adaptados por Lúcia Lambertini.

Nenhum episódio encontrado.

Galeria

Sítio do Picapau Amarelo

Selo: Odeon – LDS-3.006
Formato: Vinil, LP, 10″
Lançado: 1952
Gênero:
Narrador: Julio Gouveia e Lucia Lambertini
Escrito por: Tatiana Belinky

 

A1 – A Pílula Falante
B1 – O Casamento de Emília

Fontes
ALVES, Vida - TV Tupi - Uma Linda História de Amor. São Paulo, Imprensa Oficial, 2008; ROVERI, Sérgio - Tatiana Belinky...E quem quiser que conte outra. São Paulo, Imprensa Oficial, 2008; “Várias notícias” – A Noite (09/09/1957)

Onde assistir:

Nenhuma plataforma streaming encontrada para esse programa.

Deixe um comentário