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Bambalalão

1980
1985
1990
L
Classificação
Etária
9,6
Avaliação
do Usuário
8,9
Avaliação
InfanDB

Bambalalão

Dados de Exibição

de 07/01/1980 a 22/06/1990

de segunda a sexta-feira - 18h00

“Entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra.”

Sinopse

Misturando brincadeiras, teatro, música, artes, histórias, bonecos e jogos, Bambalalão marcou a infância de várias gerações com uma proposta que unia diversão e aprendizado. Comandado por Gigi Anhelli e um carismático elenco de atores e fantoches, o programa estimulava a criatividade, a imaginação e a participação das crianças, tornando-se um dos maiores clássicos da programação infantil da TV Cultura.

Elenco principal

“Entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra.”

Poucos programas infantis conquistaram tamanho prestígio quanto o Bambalalão, uma das produções mais importantes da história da TV Cultura. Exibido durante mais de uma década, o programa marcou gerações ao unir brincadeiras, teatro, música, artes, histórias, humor e atividades educativas em uma proposta inovadora, que tinha como principal objetivo ensinar de forma leve, criativa e divertida.

Idealizado em 1979 pelo então diretor de programação da emissora, André Casquel Madrid, o projeto nasceu com a missão de oferecer às crianças entre cinco e dez anos um entretenimento inteligente, baseado na educação informal. Para transformar a ideia em realidade, Casquel convidou Roberto Miller para assumir a direção e Irineu de Carli para a produção.

Desde o início, Casquel já tinha definida quem conduziria a nova atração: Gigi Anhelli, produtora e diretora da Rádio Cultura, além de apresentadora do programa Som, Forma e Movimento, a primeira produção em cores da emissora. Sua maneira espontânea de conversar com o público infantil se tornaria uma das grandes marcas do programa.

O Bambalalão estreou em 7 de janeiro de 1980, inicialmente apenas para o estado de São Paulo, ocupando a faixa das 18 horas. O cenário era simples, mas o conteúdo chamava atenção pela variedade. Enquanto Lena ensinava dobraduras, Tadeu apresentava técnicas de mímica, Mira Haar mostrava como criar brinquedos e objetos utilizando sucata, e Gigi comandava toda a programação, anunciando desenhos animados em stop motion produzidos no Canadá e lendo as cartas enviadas pelos telespectadores.

Rapidamente, o quadro de correspondências transformou-se em um dos maiores sucessos da atração. Gigi criou uma comunicação direta com o público por meio do Correio Metuia — palavra de origem tupi que significa “amigo” —, incentivando crianças de todo o Brasil a enviarem cartas, desenhos, sugestões e histórias. O quadro tornou-se um dos primeiros exemplos de interatividade da televisão infantil brasileira.

Outro símbolo inesquecível surgiu logo nos primeiros meses: o famoso trenzinho de Gigi. O som improvisado pela apresentadora virou uma verdadeira marca registrada do programa, estampando camisetas, convites para participação e até o tradicional “Selinho do Trenzinho”, desejado pelas crianças que visitavam os estúdios.

Ainda em 1980, o programa passou a ser exibido ao vivo, ampliando a participação do auditório infantil. Nessa fase, Orlando Villas-Boas passou a contar histórias sobre os povos indígenas brasileiros, enquanto Etty Frazer dramatizava contos escritos pelos próprios telespectadores. As dobraduras ficaram sob responsabilidade de Téia, e as histórias passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante dentro da programação.

Em agosto daquele ano, o ator Renato Consorte ingressou no elenco para contar histórias e responder às cartas enviadas pelas crianças. Sua participação, entretanto, foi breve. Após responder uma correspondência comentando os possíveis impactos ambientais da instalação de usinas na região de um telespectador, acabou sendo afastado da atração. Mesmo assim, o quadro permaneceu no programa, agora conduzido por Gigi, eternizando um dos bordões mais lembrados da televisão infantil brasileira:

“Entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra.”

No ano seguinte, uma viagem de André Casquel Madrid ao México inspirou uma das maiores mudanças da história do Bambalalão: a chegada dos bonecos. A criação ficou a cargo de Memélia de Carvalho, que desenvolveu personagens como o Macaco Chiquinho e o Sapo Agapito, ambos responsáveis por diálogos espontâneos, inteligentes e bem-humorados com Gigi. O cenário também ganhou novos elementos, como pufes para o auditório infantil e uma máquina de bolhas de sabão, deixando o ambiente ainda mais lúdico.

A grande reformulação e a fase de ouro

O dia 5 de janeiro de 1982 marcou o início da fase mais conhecida do Bambalalão. Depois de cerca de seis meses de reuniões e planejamento, o programa foi completamente reformulado. Sob direção geral de Roberto Miller, textos e direção de Memélia de Carvalho, a atração ganhou um novo elenco, cenários renovados e personagens que se tornariam inesquecíveis.

Entre as principais novidades estava o irreverente Professor Parapopó, interpretado por Chiquinho Brandão, um cientista excêntrico conhecido pelo paletó xadrez e pela clássica máscara de nariz, bigode e óculos vendida nas feiras livres da época. Outro personagem que rapidamente caiu no gosto do público foi o Palhaço Tic Tac, vivido por Marilan Sales, famoso pelo leve sotaque nordestino e pelos apelidos bem-humorados que distribuía às crianças.

Os bonecos também ganharam reforços importantes, como Maria Balinha, João Balão, Macaca Chiquinha, além das aparições ocasionais de um reizinho e de uma princesa. Na estreia da nova fase, todos chegaram em grandes caixas de presente trazidas pelo Papai Noel para Gigi, que precisou “dar corda” no Palhaço Tic Tac para que ele começasse a funcionar.

O novo cenário possuía dois escorregadores, arquibancadas para cerca de cinquenta crianças vindas de escolas paulistas e uma janela especialmente destinada ao teatrinho de bonecos. Enquanto Chiquinho Brandão ensinava pinturas, colagens e músicas, Arnaldo Bentivenha comandava trabalhos manuais. As histórias narradas por Gigi passaram a ser dramatizadas por todo o elenco, enquanto o quadro Jornal-Mural levava notícias voltadas ao universo infantil.

Naquele mesmo ano nasceu também o Circo Bambalalão, espetáculo especial transmitido ao vivo diretamente do Anhembi.

A partir de 1983, com Arlindo Pereira assumindo a direção, o programa consolidou seu formato. As tradicionais equipes Vermelha e Amarela, identificadas por fitas na cabeça das crianças, passaram a disputar brincadeiras e gincanas que movimentavam o auditório. As histórias enviadas pelos telespectadores eram adaptadas por Oswaldo Barreto e transformadas em pequenas peças encenadas pelos bonecos criados por Memélia de Carvalho. Nesse período também foi lançado o disco oficial do programa pela gravadora PolyJunior.

Durante as férias de Gigi, Silvana Teixeira, recém-saída de A Fábrica do Som, assumiu temporariamente a apresentação. O sucesso foi tão grande que ela acabou incorporada ao elenco fixo. Logo depois chegaram Luis Carlos Gomes, vivendo o personagem Baiapó, Sílvio Varjão, que posteriormente interpretaria o robô desajeitado Robopó, e João Acaiabe, responsável por dramatizar uma segunda história diária dentro da programação.

Nos anos seguintes surgiram diversos quadros de enorme sucesso, como Adivinhe o Que É, em que Gigi e Tic Tac desafiavam as crianças a descobrir objetos por meio de pistas; brincadeiras utilizando fotografias ampliadas apresentadas por Silvana; além dos números de ilusionismo comandados por Mister Basart.

Em agosto de 1984, um fato curioso marcou os bastidores do programa: Marilan Sales anunciou, ao vivo, sua saída do Bambalalão para apresentar o infantil Sessão Criança, na TV Record. Para reforçar o elenco chegaram Mateus Esperança, interpretando o palhaço Pam Pam, e Luis Carlos Gomes passou a participar com ainda mais frequência das dramatizações.

O sucesso de fase foi tão grande que ganhou um spin-off chamado Bambaleão e Silvana.

Novos personagens, mudanças e legado

Em 1985, o programa passou a contar com duas exibições diárias: um episódio inédito às 17 horas e uma reprise na manhã seguinte. O elenco ganhou novos integrantes, como Helen Helene, responsável pelos personagens Pato Lero-Lero e Bamboneca, além de Carlos Barreto, que interpretava o Bambalarino. Também participaram dessa fase Dulce Muniz, Mauro Padovani, enquanto os roteiros passaram a ser escritos por Carlos Queiroz Telles, sob direção de Valdemar Jorge.

No ano seguinte, um incêndio nas instalações da TV Cultura obrigou a produção a ser transferida para o Auditório Franco Zampari. Além da mudança física, a nova administração da emissora alterou o horário tradicional do programa, que passou das 17h para as 15h.

Sob direção de Zita Bressane, novos quadros conquistaram o público, entre eles Mesa de Artes, agora comandado por João Acaiabe, e Caipirinhas, no qual Gigi e Silvana interpretavam duas personagens do interior que se tornaram extremamente populares. Novos bonecos passaram a integrar o teatrinho, como Beleléu, Gaspar, Wandernusa, João Leno, Madame Belastral e Boninho. A equipe de manipulação cresceu com Fernando Gomes e Álvaro Petersen, que posteriormente também criariam personagens vivos, como Preguinho, Pedrinho Pó-Pará e Beiral.

Em 1987 chegaram ainda Professor Chucrutze, interpretado por Gerson de Abreu; o Palhaço Perereca, vivido por João Tadeu; Briela, personagem de Carla Masumoto; além dos bonecos Bob Azeitona, Fubá e Xoxa.

A participação dos fantoches tornou-se ainda maior em 1988. Quadros como Sessão Matinê, que apresentava lendas e histórias clássicas em formato seriado, e JB – Jornal do Bamba, uma divertida paródia dos telejornais estrelada por Maria Balinha e Beleléu, tornaram-se grandes sucessos. Nesse período, Eduardo Coelho passou a interpretar Amarelito e Ed Lito.

Em 1989, as tradicionais equipes Vermelha e Amarela passaram a disputar grandes gincanas envolvendo provas como Cruzadinhas, enquanto todo o elenco se reunia no quadro musical para cantar junto com o público. A direção ficou inicialmente com Marcelo Amadei e, posteriormente, passou para Roberto Machado.

Ao longo de seus treze anos de produção, diversos artistas participaram do programa, seja substituindo integrantes em férias, seja realizando participações especiais. Entre eles destacam-se José Carlos (Palhaço Pirulito), Vlado dos Santos (Palhaço Xuxu), Cláudio Pereira (Xyss), Bel Teixeira, Paulo Yutaca e Basílio Artero Sanchez.

O reconhecimento da qualidade do infantil veio também por meio da crítica especializada. O programa recebeu o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como Melhor Programa Infantil em 1982 e, consecutivamente, entre 1984 e 1987, consolidando sua posição entre as maiores produções infantis da televisão brasileira.

Após treze anos no ar, o Bambalalão despediu-se da programação regular da TV Cultura em 1990, deixando um legado de criatividade, educação e entretenimento que permanece vivo na memória de milhares de brasileiros. Sua importância foi reconhecida anos depois, quando voltou ao ar em reprises na própria TV Cultura, em 1999, e posteriormente no canal TV Rá-Tim-Bum, onde permaneceu sendo exibido até 2010.

Mais do que um simples programa infantil, o Bambalalão ajudou a redefinir a forma de fazer televisão para crianças no Brasil, mostrando que era possível ensinar, divertir e estimular a criatividade ao mesmo tempo. Ainda hoje, é lembrado como uma das maiores referências da programação educativa da televisão brasileira.

Prêmios

Galeria

Bambalalão

Intérprete: As Meninotas
Composição: Caetano Zama

Bambalalão, Bambalalão
Bambalalão, Bambalalão
Bambalalão, Bambalalão
Bambalalão, Bambalalão

Olha o trenzinho que carrega a alegria
E me leva todo dia pro mundo da fantasia
Bambalalão é um lugar de encantamento
Com arte a todo o momento
E aprender é divertimento

Bambalalão tem histórias pra contar
Tem teatro de bonecos
Tem jogos para brincar
Bambalalão onde a arte é pra inventar
E a gente cria tanto que nem vê o tempo passar…

Bambalalão, Bambalalão
Bambalalão, Bambalalão
Bambalalão, Bambalalão
Bambalalão, Bambalalão

Bambalalão meu trenzinho divertido
Meu programa preferido
Que eu guardo no coração
Bambalalão onde a vida é brincadeira
E a verdade é verdadeira que…

Eu gosto do Bambalalão
Eu gosto do Bambalalão
Eu gosto do Bambalalão

A Turma do Bambalalão

Selo: PolyJunior – 815875-1
Formato: Vinil, LP, Álbum
País: Brasil
Lançado: 1983

1 – Bambalalão – As Meninotas
2 – Xote Tic-Tac – Turma do Bambalalão e As Meninotas
3 – Gigi-Gigi – As Meninotas
4 – Tema de Bonecos – As Meninotas
5 – Tudo Bem No Bamba – As Meninotas
6 – Balinha e Balão – Turma do Bambalalão
7 – A Turma do Bambalalão – Turma do Bambalalão
8 – Tema das Artes – As Meninotas
9 – Bomba – Turma do Bambalalão
10 – O Carteiro Agapito – Turma do Bambalalão
11 – Tema da História – As Meninotas
12 – Balanço do Trem – Turma do Bambalalão
13 – Viva o Vermelho e o Amarelo – Turma do Bambalalão e As Meninotas
14 – Bambalalão (final) – As Meninotas

Fontes
“As crianças ficam sem Consorte na TV” – Folha de São Paulo (21/10/1980); “Bambalalão ficou mais animado” – Folha de São Paulo (07/02/1982); “Polêmicas em um programa infantil” – Folha de São Paulo (04/02/1984); “Tic-Tac deixa o Bambalalão” – Folha de São Paulo (12/10/1984).

Video:

Onde assistir:

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