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Hugo Game

L
Classificação
Etária
0,0
Avaliação
do Usuário
7,8
Avaliação
InfanDB

Hugo Game

Dados de Exibição

de 30/10/1995 a 09/02/1996; de 23/03/1998 a 16/04/1999

de segunda a sábado - 11h30 e 18h30; 18h e 20h

"Errei a mira, parei na China!"

Sinopse

Fenômeno de interatividade na CNT entre 1995 e 1998, o Hugo Game permitia que os telespectadores jogassem em tempo real controlando o duende protagonista pelas teclas do telefone fixo. Comandado originalmente por Matheus Petinatti e Vanessa Vholker — e posteriormente por Andrea Pujol e Rodrigo Brassolotto —, o programa misturava os desafios eletrônicos contra a bruxa Maldícia com blocos de desenhos animados e esquetes. Marcada por bordões inesquecíveis e prêmios cobiçados, a atração revolucionou os programas infantis da década de 1990.

Elenco principal

"Errei a mira, parei na China!"

A introdução de tecnologias interativas na televisão brasileira durante a década de 1990 transformou a relação dos telespectadores com a tela. Nesse cenário, em outubro de 1995, estreou o game show Hugo Game. O formato era uma adaptação da atração original criada pela empresa dinamarquesa Interactive Television Entertainment (ITE) e foi trazido ao país por meio da produtora Herbert Richers Entretenimento. Com roteiros assinados por Tony Góes, direção de Jacqueline Cantore e direção geral de Herbert Richers Jr., o programa ocupava as faixas das 11h30 e 18h30, de segunda a sexta-feira, concorrendo diretamente com sucessos consolidados da época, como O Agente G (TV Record) e o anime Os Cavaleiros do Zodíaco (TV Manchete).

O grande diferencial do infantil era o seu formato de videojogo em tempo real, no qual a criança de casa interferia diretamente nas ações do personagem utilizando os botões de seu próprio telefone fixo como um joystick. Essa mecânica inovadora era viabilizada pelo sistema ITE 3000, um avançado computador multiprocessador de áudio. Os participantes que alcançassem as maiores pontuações diárias ganhavam prêmios que incluíam kits com produtos licenciados do Hugo, jogos da Estrela, CD Players e aparelhos de Micro System.

Para isso, a semana de estreia contou com um time de peso de convidados especiais testando as mecânicas, como Luciano Amaral (o Lucas Silva de Mundo da Lua), Samuel Costa (protagonista de O Menino Maluquinho), além de Adriane Galisteu, o cantor Falcão e o grupo Mamonas Assassinas. A partir de 7 de novembro daquele ano, as inscrições foram abertas ao público geral: as crianças ligavam para registrar o interesse e os produtores retornavam a ligação confirmando a participação com a autorização dos pais.

A ambientação do estúdio recriava uma casinha cenográfica situada na “Floresta Encantada”. Desse espaço, os apresentadores Matheus Petinatti e Vanessa Vholker conversavam ao telefone com os jogadores e interagiam com o duende por meio de um monitor de vídeo. Na edição da manhã (11h30), Matheus liderava o programa e explorava sua veia cômica ao interpretar Mathias, o atrapalhado irmão gêmeo de seu personagem. Já o bloco da tarde (18h30) ficava sob o comando exclusivo de Vanessa.

Exibido pela rede CNT, o show tornou-se o líder absoluto de audiência da emissora curitibana, alcançando marcas históricas de 5 pontos no Ibope em São Paulo e 6 pontos no Rio de Janeiro. O sucesso gigantesco gerou mais de 1 milhão de ligações diárias para o número (041) 342-3038, chegando a congestionar as linhas telefônicas. Empolgada com o retorno financeiro, a produtora investiu cerca de 2 milhões de dólares na aquisição do desenho animado do personagem e em uma máscara eletrônica especial que reproduzia expressões faciais no boneco através dos movimentos de um ator nos bastidores.

Contudo, após dois anos de exibição, a atração foi retirada do ar devido a uma reformulação na diretoria da emissora. O hiato terminou em 23 de março de 1998, quando uma nova fase do programa estreou na grade, ocupando o horário das 18h às 20h. O formato foi modernizado, trazendo jogos computadorizados inéditos e a presença virtual e tridimensional do próprio Hugo dividindo o estúdio com os novos apresentadores Andrea Pujol e Rodrigo Brassolotto.

Além do mais, essa segunda fase incorporou um telejornal focado em reportagens de interesse de crianças e adolescentes de todo o Brasil. As ligações passaram a ser feitas pelo sistema 0900-701212, e a premiação foi atualizada com agendas eletrônicas, patins e computadores para os melhores da semana. A equipe técnica também mudou, contando com direção de TV de J. Bijkre, roteiros continuados de Tony Goes e direção geral de Caio e Monteiro da Silva.

O novo formato manteve o sucesso estrondoso de seu antecessor, recebendo mais de 40 mil cartas nos primeiros cinco meses, o que forçou a contratação de funcionários dedicados apenas a responder a correspondência do público. Em agosto de 1998, a grade foi compactada para o horário unificado das 18h às 19h30, unindo Andrea e Rodrigo lado a lado no palco junto ao duende virtual e trazendo celebridades para testar as fases ao vivo.

Na mitologia do jogo, Hugo vivia com sua esposa Hugolina e seus três filhos: Rit, Rat e Rut. O objetivo dos jogadores era guiar o herói para salvá-los das garras da vilã Maldícia, que constantemente provocava os participantes com os famosos bordões “Hugo não vai conseguir!” ou “Eu ainda te pego, amiguinho do Hugo!”. Durante as partidas de trenzinho, abismo, troncos na água ou balão, os apresentadores ajudavam dando o tempo correto para apertar as teclas.

Quando o jogador perdia todas as chances, Hugo aparecia na tela desapontado com a clássica frase: “Não tem chororô, esse jogo acabou”. As tiradas bem-humoradas do duende ficaram eternizadas na memória afetiva de uma geração, incluindo rimas marcantes como “Subindo a montanha, sem fazer manha!”, “Não seja boboca, pule nesta motoca”, “Se liga, é a última vida”, “Errei a mira, parei na China” e o cômico “Ai, ai, meu bumbum dói”.

O programa era antecedido pelo Clube do Hugo também protagonizado pelo personagem.

Galeria

Fontes
“Hugo chega ao Brasil” – Jornal do Brasil (01/11/1995);“CNT/Gazeta lança game participativo” - Folha de São Paulo (10/09/1995); JARDIM, Vera, “No Tempo da interatividade” – Jornal do Brasil (06/01/1996); Depoimento de Orlando Viggiani (06/09/2018)

Video:

Onde assistir:

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