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Capitão Furacão

L
Classificação
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8,8
Avaliação
do Usuário
8,8
Avaliação
InfanDB

Capitão Furacão

Dados de Exibição

de 26/04/1965 a 31/12/1970

de segunda a sexta-feira - 17h00

“Sempre alerta e obediente”

Sinopse

Estreando junto com a inauguração da TV Globo em abril de 1965, Capitão Furacão foi o primeiro grande fenômeno infantojuvenil da emissora. Apresentado por Pietro Mário no papel do carismático e sábio capitão — ao lado da jovem Elizangela —, o programa de variedades misturava histórias de marujo, gincanas, lições de cidadania e desenhos animados de sucesso diretamente de uma cabine cenográfica de navio. Com grande engajamento por meio do clube dos "Grumetes Dinâmicos", a atração produzida por Hélio Tys marcou a história da televisão como um pioneiro sucesso de audiência e interatividade com o público infantil.

Elenco principal

“Sempre alerta e obediente”

No mesmo dia em que a TV Globo entrava no ar, estreava também um dos maiores marcos da programação infantojuvenil brasileira: o programa Capitão Furacão. Produzido e dirigido por Hélio Tys, o infantil trazia o jovem ator Pietro Mário, então com apenas 26 anos de idade, sob uma caracterização marcante. Para dar vida ao velho e experiente comandante da Marinha, o ator passava por um minucioso processo de maquiagem de envelhecimento, que incluía uma longa barba branca, usando também um quepe e uma jaqueta azul-escura. Da cabine de seu navio cenográfico, o Capitão compartilhava com a garotada suas fascinantes histórias vividas em alto-mar.

Inicialmente exibida das 17h às 19h, a atração teve seu horário alterado diversas vezes ao longo dos anos para se adequar à grade da emissora. No cenário que simulava o convés de uma embarcação, o Capitão Furacão girava o timão de um lado para o outro enquanto lia cartas, mandava mensagens, revelava os segredos dos oceanos, organizava gincanas, ensinava a garotada a confeccionar barquinhos de papel e anunciava desenhos animados. O herói usava suas histórias para transmitir importantes lições de moral e cidadania, como o respeito aos mais velhos e a dedicação aos estudos, encerrando sempre com o seu famoso lema: “Sempre alerta e obediente”.

Sucesso de Audiência e os Grumetes Dinâmicos

Mesmo com a transmissão restrita ao Grande Rio, Minas Gerais e Espírito Santo, o programa tornou-se o primeiro grande fenômeno de audiência infantil da TV Globo na década de 1960. Em apenas oito dias de exibição, a produção bateu recordes ao receber mais de 2 mil cartas, além de desenhos, réplicas de barcos feitas em madeira e incontáveis telefonemas. Com a chegada do produtor Cambises Martins, o programa ganhou ainda mais fôlego com o lançamento do fã-clube oficial e a criação dos “Grumetes Dinâmicos”. Para se associar, a criança enviava uma foto junto à etiqueta de patrocinadores como a Confeitaria Gerbô ou as Calças Furacão. O sócio recebia em casa uma carteirinha oficial assinada pelo próprio Capitão. O sucesso foi tamanho que, em apenas um mês, o cadastro já somava 3 mil sócios, e Pietro Mário chegou a autografar cerca de dez mil carteirinhas ao longo da produção.

A partir de 1966, a jovem Elizangela do Amaral juntou-se ao elenco para dividir a apresentação da atração. Vestida de marinheira com minissaia, botas brancas e chapéu, ela ajudava a receber no palco uma rica variedade de convidados, que ia de crianças do clube e professores a autoridades navais e cientistas, promovendo debates educativos de forma clara e acessível.

Transição de Formato e Legado

No ano de 1969, o formato de variedades passou por modificações, passando a priorizar quase totalmente a exibição de desenhos animados e séries enlatadas, o que reduziu drasticamente o tempo de tela de Pietro Mário, que passou a atuar apenas como um locutor anunciando as atrações. Nessa fase, a garotada acompanhava grandes produções como Speed Racer, Roger Ranger, Herculóides, Mighty Thor, Tartaruga Touché, Lippi, o Leão e Wally Gator, além dos seriados National Kid, Os Monstros, Super-Homem e Os Três Patetas.

Quando o programa foi cancelado em dezembro de 1970 para dar lugar ao projeto do seriado educativo Vila Sésamo, a TV Globo ainda manteve o formato no ar por um curto período sob o comando exclusivo de Elizângela antes de sua despedida definitiva.

A Versão Paranaense

O herói teve ainda uma versão curitibana exibida pela TV Paranaense – Canal 12, entre 1968 e 1975. Apresentado por Sérgio Queirolo, o programa conquistou grande popularidade entre as crianças e se tornou uma das atrações infantis mais marcantes da televisão paranaense nas décadas de 1960 e 1970.

Inicialmente, o programa era exibido ao vivo, de segunda a sexta-feira, no meio da tarde, diretamente dos estúdios do Canal 12, então localizados na Rua Emiliano Perneta. Inclusive, a abertura da programação da emissora naquele período estava associada ao próprio Capitão Furacão, reforçando a importância que a atração havia adquirido dentro da grade da TV Paranaense.

No cenário, o Capitão Furacão aparecia diante de um grande leme de navio, elemento que ajudava a construir a identidade visual e a atmosfera de aventura do programa. A partir daquele espaço, Sérgio Queirolo, a exemplo da versão carioca,  conversava com as crianças, transmitia conselhos, interagia com o público e apresentava os desenhos animados exibidos durante a atração.

O sucesso do Clube do Capitão Furacão foi tão expressivo que o programa ganhou também uma edição especial aos domingos pela manhã, apresentada ao vivo e com a presença de plateia. Entretanto, essa versão dominical apresentava uma proposta diferente: os desenhos animados deixavam de ser o foco e davam lugar a um verdadeiro show de circo e variedades.

A nova versão reunia diversas atrações destinadas ao público infantil e às famílias, incluindo palhaços, mágicos, números de malabarismo, cachorrinhos adestrados e outras apresentações artísticas. Dessa maneira, o programa ampliava seu formato e transformava o estúdio em um espaço de entretenimento ao vivo, aproximando a televisão do universo dos espetáculos de circo e dos programas de auditório.

Entre as atrações de maior sucesso estava a “Árvore da Felicidade”, uma brincadeira que despertava grande expectativa entre as crianças presentes na plateia. Uma criança era escolhida para participar do desafio e precisava retirar nove frutas, que ficavam fechadas dentro de pequenos saquinhos semelhantes aos utilizados para pipoca. Cada fruta correspondia a um presente oferecido pelas Lojas Hermes Macedo, importante estabelecimento comercial de Curitiba naquele período.

Havia, porém, uma regra que tornava a brincadeira ainda mais emocionante: a criança não poderia retirar o pimentão vermelho. Caso isso acontecesse, a brincadeira terminava. Por outro lado, se conseguisse chegar até o final, além dos oito presentes conquistados ao longo do desafio, a criança recebia um prêmio especial: uma bicicleta infantil Caloi.

A bicicleta era oferecida gratuitamente pelo Dr. Hermes Macedo, que fazia questão de realizar pessoalmente a entrega do prêmio aos pais e à criança. Além das premiações da “Árvore da Felicidade”, o programa também contava com diversos brindes e presentes oferecidos pelo comércio da antiga Curitiba, fortalecendo sua relação com empresas e estabelecimentos locais.

O Clube do Capitão Furacão também contava com atrações e personagens associados ao universo criado para o programa. Entre eles estavam Lafayette Queirolo, conhecido como Pif-Paf, Miguel Santos, interpretando Chico Bumbo, e Quilin Queirolo, o Gafanhoto. O programa também apresentava as meninas Marionetes, personagens que faziam uma sátira às famosas Marites, de Mário Vendramel.

Galeria

Fontes
“Longe do mar”(02/11/1988) – Veja 1052; “Capitão Furacão” – Diário de Notícias (16-17/05/1965); TAVARES, Helena Tavares. “Memórias de um velho do mar” - Jornal do Brasil (18/08/1991).

Video:

Onde assistir:

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