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Teatrinho Troll

L
Classificação
Etária
0,0
Avaliação
do Usuário
8,9
Avaliação
InfanDB

Teatrinho Troll

Dados de Exibição

de 25/11/1956 a 10/07/1966

sábado e domingo - 14h00

Sinopse

Sucesso na TV Tupi do Rio de Janeiro, o Vesperal Trol (popularmente conhecido como Teatrinho Trol) foi um divisor de águas no entretenimento infantojuvenil brasileiro criado por Fábio Sabag e dirigido por Almeida Castro. Exibido semanalmente aos domingos, o programa adaptou cerca de 400 peças de grandes autores da literatura nacional e internacional, contando com um elenco estelar que incluía Norma Blum, Roberto de Cleto, Zilka Salaberry e participações especiais de nomes como Fernanda Montenegro.

Vesperal Antártica - Teatrinho Troll - Grande Teatro Infantil Kibon - Grande Teatro Tupi

Elenco principal

A introdução do teatro infantil na televisão brasileira ganhou um de seus capítulos mais nobres e sofisticados em meados da década de 1950. Em novembro de 1956, estreava na TV Tupi do Rio de Janeiro o Vesperal Trol, atração que se consagrou na memória afetiva do público como Teatrinho Trol. A estreia deu-se com a encenação do espetáculo “O Casaco Encantado”, de autoria de Lúcia Benedetti. Idealizado e produzido pelo ator e diretor Fábio Sabag, e com direção geral de Almeida Castro, o programa consistia na adaptação de peças teatrais para o veículo televisivo, transportando os telespectadores para universos lúdicos repletos de florestas encantadas, princesas, magos e bruxas.

Nos primeiros anos de exibição, as produções eram integralmente encenadas e transmitidas ao vivo. Com o advento e a implementação do videocape nos estúdios, a dinâmica técnica modificou-se, permitindo que a equipe interrompesse as gravações quando necessário, embora a tecnologia da época ainda não possibilitasse a edição das cenas. O impacto cultural do teatrinhno na rotina dos cariocas era avassalador: todos os domingos, pouco antes das 14h, as ruas da cidade esvaziavam-se repentinamente, retomando o movimento normal somente após as 15h. Ao longo de uma década de existência, o bloco levou ao ar cerca de 400 peças assinadas por renomados nomes da literatura e do teatro nacional, variando de Monteiro Lobato e Maria Clara Machado a Tatiana Belinki, Lygia Bojunga Nunes, Sérgio Viotti e a própria Lúcia Benedetti.

A indiscutível qualidade técnica e cênica da produção tornou-se uma referência na televisão. Mesmo nas exibições ao vivo, a equipe realizava complexos efeitos especiais práticos, como neblina de gelo seco e precipitações de neve feitas com espuma de sabão. A cenografia era um espetáculo à parte: árvores e folhagens naturais chegavam inteiras aos estúdios da Tupi, e os cinco cenários distintos concebidos para cada história eram operados e substituídos manualmente de forma ágil durante os intervalos comerciais. O apuro visual contava ainda com as maquetes detalhadas desenvolvidas por J. Reis e pelos primorosos figurinos de época costurados por Sorensen. Fora das telas, o compromisso social e festivo do grupo manifestava-se anualmente em apresentações especiais de Natal realizadas nas escadarias do Teatro Municipal, em portas de igrejas, hospitais, escolas e presídios.

O palco do programa funcionou também como um importante celeiro e ponto de consolidação de carreiras de grandes astros do teatro e da televisão. O ator Oscar Filipe, além de atuar no elenco fixo, também assinava o roteiro e a direção de diversos episódios. A atriz Norma Blum imortalizou-se no papel da princesa oficial da atração, contracenando ao lado de Roberto de Cleto, que atuava como o príncipe de plantão. A corte do programa também contou com o talento de outras realezas marcantes, como Carmem Silva Murgel, Íris Bruzzi e Neide Aparecida. Já o papel da grande vilã fixa cabia à icônica Zilka Salaberry, cuja carismática bruxa era adorada pela garotada. Os papéis de antagonistas convidados costumavam atrair o primeiro time das artes cênicas do país, incluindo a consagrada atriz Fernanda Montenegro, que interpretou a primeiríssima bruxa da história do projeto.

A sustentação comercial do formato contava com um elemento altamente lúdico: as ações publicitárias eram conduzidas pelo mascote e símbolo da empresa de brinquedos Trol, o boneco Dom Trolino. O personagem não utilizava falas, comunicando-se estritamente por meio de mímicas corporais. Interpretado pela atriz Nair Amorim — com o suporte em cena da menina Vera Lúcia e de Regina Helena —, o carismático boneco alcançou tamanho sucesso que rendeu à atriz o prêmio “Troféu Câmera” de melhor comercial ao vivo da televisão. Mesmo em seus anos finais, quando o programa mudou de cotas de patrocínio e passou a se chamar oficialmente Grande Teatro Infantil Kibon e, posteriormente, Vesperal Antártica, o público infantil recusou-se a abandonar a antiga nomenclatura, mantendo a marca original viva na cultura popular até o encerramento definitivo da atração.

Galeria

Fontes
Depoimento: Fábio Sabag (09/10/2004); “Grande Teatro Infantil” – Correio da Manhã (24/11/1956)

Onde assistir:

Nenhuma plataforma streaming encontrada para esse programa.

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